Gerenciamento de Ativos Ilíquidos: O que é?

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Ativos Ilíquidos tudo o que você precisa saber!

Gerenciamento de Ativos Ilíquidos, meu nome é Walter Moreira Neto, fundador do Overclub Family Office, e é sobre este tema que a gente vai falar hoje.

O que são Ativos Ilíquidos? A primeira coisa é a gente entender que, basicamente, ativos ilíquidos são investimentos que você tem uma dificuldade muito grande, ou simplesmente, não consegue transformar em dinheiro.

Ou, você até consegue transformar em dinheiro, mas você tem uma perda muito grande de valor. Quais são alguns exemplos? Carro é um exemplo de ativo ilíquido, participações em empresas privadas, alguns instrumentos de dívida, algum tipo de renda fixa, antiguidades, vinho, artes, imóveis talvez seja o ativo ilíquido mais comum, principalmente de nós, brasileiros.

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Porque Investir em Ativos Ilíquidos

Porque investir em ativos ilíquidos é um tema que a gente precisa entender, para saber qual é a vantagem de investir nesse tipo de investimento em contraponto com outros investimentos que são mais líquidos.

Bom, a primeira ideia de você investir em um investimento que seja ilíquido é falar sobre a probabilidade que você, teoricamente, teria em ter uma rentabilidade maior.

Então vamos entender um pouquinho. Não é sempre, mas normalmente, tem um tripé dos investimentos. A gente está falando de rentabilidade, de segurança e de liquidez. Então, é muito difícil no investimento você conseguir ter esses três pontos.

Se você abre mão da sua liquidez é possível você ter uma rentabilidade maior com a segurança adequada. Se você abre mão da segurança, você pode conseguir ter uma liquidez e uma rentabilidade maior.

Então, ao abrir mão de liquidez, que é uma das variáveis, você tem a possibilidade de ter um retorno maior com determinada segurança. É essa a ideia por trás de investir em investimentos ilíquidos. Agora, será que isso realmente funciona na prática?

Tipos de Riscos

Bom entender um pouquinho sobre os tipos de riscos que esse tipo de ativo te oferece é importante também.

1 – Liquidez

O primeiro tipo de risco que os ativos ilíquidos têm é o risco de liquidez. Basicamente, é o risco de você querer vender esse ativo e não tem ninguém querendo comprar ou alguém querendo comprar a um preço muito mais abaixo do que você está disposto a vender.

Então ter uma participação muito alta nesse tipo de ativo, pode trazer um problema para você. Normalmente, uma exposição alta neste tipo de ativo precede uma alta rentabilidade desse próprio ativo. Por exemplo, no final dos anos 2000 mais ou menos, os imóveis tiveram um retorno muito alto. Então foi muito comum, quando a gente começou a atender algumas famílias perto dessa época, que o patrimônio imobilizado era muito maior do que o patrimônio financeiro, porque tinha tido uma rentabilidade muito interessante.

Um outro exemplo, talvez um caso até mais emblemático do que esse, a Harvard University, os fundos de investimentos da Universidade de Harvard tiveram um problema gravíssimo no final de 2008, na crise do subprime, porque tiveram uma rentabilidade muito boa nos investimentos, naquela ocasião eram basicamente os investimentos em participações em empresas privadas, naquelas que não estão listadas em bolsa, e eles precisavam de liquidez e como eles tinham muito dinheiro nesse tipo de investimento, eles precisavam vender essa participação para custear os custos que eles tinham do dia a dia e não conseguiam.

Eles tiveram que vender alguns dos investimentos com 50% de desvalorização e em alguns casos, no final das contas, eles tiveram que até pegar dinheiro emprestado e acabaram emitindo alguns títulos de renda fixa para conseguir pagar. Então esse problema de ter um risco de liquidez muito alto na carteira, como comprometeu a Harvard em 2009, pode comprometer hoje em dia, então precisamos tomar bastante cuidado com esse tipo de situação.

2 – Rebalanceamento de Portfólio

O segundo risco que pode acontecer, além do risco de liquidez, é o risco de rebalanceamento de portfólio. Vocês já viram em outros vídeos, eu falando aqui, o Asset Allocation, é a alocação estratégica macro de uma carteira de investimentos.

E quando você tem um desequilíbrio e você precisa rebalancear, que é basicamente você adequar as classes de ativos previamente idealizadas, você não consegue fazer isso com os ativos ilíquidos.

Se você tiver uma participação muito grande deles na carteira, você não consegue reduzir essa parte, é uma dificuldade muito grande. Então para você conseguir fazer isso com os ativos ilíquidos, eles se tornam um grande de um problema.

Bom, falamos um pouco sobre a perspectiva de um retorno maior nesse tipo de investimento, falamos um pouco dos riscos inerentes à essa classe de investimentos de ativos ilíquidos, mais uma que você faz o gerenciamento e combina isso dentro do portfólio com outros tipos de investimentos.

Primeiro a gente precisa entender o que é uma gestão de patrimônio, qual é o objetivo final dela, a gente já sabe que o objetivo final do patrimônio é prover a maior qualidade de vida possível para a família.

Ativos Ilíquidos e Qualidade de Vida

Então, como é que os ativos ilíquidos vão entrar aí? A gente tem que tomar bastante cuidado, porque os ativos líquidos podem ser, por exemplo, ativos que não geram fluxo de caixa, a gente pode estar falando de uma obra de arte, ou que tem uma dificuldade muito grande para vender, porque ele tem baixa liquidez.

Isso torna esse tipo de ativo (se isso acontecer, se essas características forem inerentes aos ativos ilíquidos) provavelmente ela está desalinhada com o patrimônio. Vamos entender uma coisa, o objetivo do patrimônio seria avaliar, fazendo essa gestão, se tem uma qualidade de vida direta, se o ativo ilíquido proporciona uma qualidade de vida direta ou se ele proporciona uma qualidade de vida indireta.

Então o que é cada coisa? Vou dar um exemplo:

Qualidade de vida direta é uma casa na praia que a família gosta, utiliza e vai sempre. Você tem um patrimônio, ele gera uma qualidade de vida direta. Então esse ativo ilíquido gera o objetivo dele que é gerar qualidade de vida, gerar prazer, gerar uma boa experiência de vida para aquela família.

Entretanto, se é um imóvel, uma casa na praia mas a família não vai, não gosta mais de ir, está longe, ninguém utiliza, ele não gera qualidade de vida direta. O que pode acontecer? Esse tipo de investimento, pode entregar o que a gente chama de qualidade de vida indireta, ele pode te gerar uma renda (essa casa pode ser alugada) e essa renda ser utilizada para gerar uma qualidade de vida direta.

Então é um ponto que a gente tem que observar quando a gente está falando de gestão de ativos ilíquidos.

Outro ponto que eu já falei antes sobre o risco é não ter uma participação muito elevada nesse tipo de investimento, então o que a gente normalmente recomenda (não em 100% dos casos) que a participação de ativos ilíquidos, onde a gente busca uma rentabilidade maior, por exemplo, alguma incorporações imobiliárias, quando aquela família já tem a renda necessária para viver a qualidade de vida que ela escolheu.

Um exemplo, vamos supor que essa família tenha um patrimônio X que provém R$ 100 mil reais de renda para ela viver bem. A partir do momento em que ela tiver mais patrimônio que gere uma renda superior, ela pode sim, confortavelmente, se dar o luxo de investir em investimentos alternativos , como imóveis de uma maneira muito mais tranquila, porque na falta de liquidez, isso não vai comprometer todo o restante que ela tem em termos de renda.

Um outro passo para fazer o gerenciamento desses ativos, depois que entender se gera qualidade de vida direta, tá tudo certo. Se gera qualidade de vida indireta é importante mensurar essa renda para saber se está alinhado ou não, e avaliar em termos de resultado líquido porque, vamos falar de imóveis que talvez seja uma coisa muito mais próxima à nossa.

É muito comum, as pessoas, os investidores de uma forma geral não conseguirem mensurar esse resultado de uma forma líquida, o que eu tô falando quando eu falo em resultado líquido?

Quanto você recebe de aluguel é uma coisa, agora quanto essa carteira vai entregar para você de resultado descontando alguns custos como: condomínio, IPTU, manutenção, reforma, se você tem uma holding para tratar desse imóveis, para receber, você provavelmente está pagando a estrutura dessa holding como um todo, incluindo o contador, o tempo que esse imóvel fica vazio, tudo isso entra na conta e é bastante comum observar que o resultado final é uma fração do que as pessoas normalmente imaginam, é importante colocar isso na conta.

Então, é muito importante que o Family Office consiga mensurar com você e colocar isso de uma forma consolidada, para que você consiga enxergar, tanto todas as rendas que você tem, todos os custos e fazer uma melhor adequação desse patrimônio global.

Existem algumas vantagens e algumas desvantagens de investir nesse tipo de ativo. E para você? O que vocês acham? Será que investir nesse tipo de investimento ilíquido tem mais vantagens ou mais desvantagens? Comenta aqui embaixo e por hoje é só. Aproveite e se inscreva no canal do Youtube.

 

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Publicado por

Walter Moreira Neto, CFP®

Graduado pela Macquarie University (Business) e Masters em International Business pelo International College of Management Sydney (ICMS), morou em Shanghai, China, onde concluiu sua tese "Real Estate in China" pela Fudan University.
Sócio-fundador do Overclub Family Office e Ryde Corretora de seguros, é Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Planejador Financeiro, CFP®️

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