Descubra a Melhor Hora para Comprar Dólar

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Você sabe qual o melhor momento para comprar dólar?

Finalmente a pandemia está passando e aquelas viagens que estavam planejadas começam a sair do papel e obviamente que a pergunta que nós fazemos “se é o momento correto para se comprar dólar agora ou se é melhor esperar?” começa a surgir.

Se você quiser saber qual o melhor momento para comprar dólar, euro ou a moeda que você quiser para poder viajar, fica comigo que esse é o assunto de hoje.

Se preferir, assista ao vídeo

Cotação do Dólar

Em toda viagem para o exterior as perguntas e os problemas são mais ou menos iguais. Normalmente tenho pessoas que me perguntam: “E aí, vou fazer uma viagem para o exterior. Se tiver um momento de alta agora – como é o momento que a gente está agora – será que a gente espera mais um pouco o dólar abaixar ou será que eu compro?”

Se é um momento de baixa, as pessoas perguntam “Se é um momento de baixa eu acho que eu vou esperar um pouco mais para conseguir comprar esse dólar com um preço melhor”.

Sinceramente essa variável não está dentro do nosso controle, então que você faz para saber qual que é o melhor momento para você comprar? Você lê jornal, segue algum influencer no Instagram, lê revistas, artigos, vê o Jornal Nacional ou outros tipos de jornal? O que você pode fazer para encontrar o melhor momento para comprar o dólar?

Os economistas têm uma frase muito engraçada que dizem que a taxa de câmbio é uma variável criada por Deus para humilhar os economistas, de tão difícil, para não dizer impossível saber, ou prever, qual vai ser a cotação da moeda em um curto espaço de tempo.

Até o próprio Ministro Paulo Guedes no começo do ano passado, lá por volta de março, acabou errando. Naquela ocasião o dólar estava 4,60, ele soltou a seguinte frase: só se eu fizer muita besteira que o dólar passa de 5,00.

Enfim, agora nesse momento que eu gravo esse vídeo, o dólar está em 5,55, ou seja, muita besteira deve ter sido feita ou falada. O Banco Central inclusive divulga um relatório, o Boletim Focus, e ele sempre faz projeções econômicas e umas das projeções é a taxa de câmbio.

É possível prever a taxa de câmbio?

E mais um argumento para vocês verem que a taxa de câmbio é muito difícil, senão impossível de prever.  A previsão do Banco Central, lá em 3 de janeiro de 2020 para o final do ano de 2020 era de 4,09 e o valor do dólar acabou fechando em 5,19, uma diferença absurda.

Para 2021 nesse mesmo relatório, o Banco Central disse que o câmbio fecharia em 4,00 reais, completamente fora da realidade uma vez que hoje, quando eu gravo esse vídeo, o dólar está em 5,55. No último relatório a que temos acesso, de 15 de outubro de 2021, o Banco Central também estima que o câmbio fechará em 5,25.

Eu falei tudo isso para mostrar que é praticamente impossível a gente conseguir prever para onde vai o dólar no curto espaço de tempo, e isso não quer dizer que não existem diversas pessoas tentando fazer projeções para onde vai o dólar no curto prazo, então é muito comum é muito apelativo esse tipo de notícia.

Se você abrir qualquer mídia, seja um blog, seja um site, seja o próprio jornal que passa em horário nobre, possivelmente você vai ver algum guru tentando dizer para onde vai o dólar no curto espaço de tempo. Então tome muito cuidado com relação a isso, porque é muito difícil. Vamos focar no que está dentro do nosso controle, e o que está dentro do nosso controle é ter o menor custo possível para comprar dólar.

Se você quiser ir para os Estados Unidos ou então para comprar a moeda do local que você vai pelo menor preço possível. Então agora vou te falar quais são as melhores maneiras, de uma pessoa fazer uma viagem gastando o mínimo possível, entre taxas, impostos e tudo o que pode comprometer a compra barata da moeda.

Como comprar moeda gastando o mínimo possível

A melhor forma de uma pessoa poder viajar e gastar confortavelmente é ter uma conta no exterior. Ter uma conta você consegue gastar com cartão de débito ou um cartão de crédito. Por que é a mais barata?

Para você fazer uma remessa para o exterior, quando você vai fazer uma remessa para terceiros e se você tem uma conta no exterior, normalmente você faz uma remessa para a instituição e esta que credita o valor na sua conta, você paga somente 0,38 de IOF. Então você tem a menor alíquota possível.

Além disso, você não paga o spread do câmbio, que é justamente o lucro que a instituição financeira, a casa de câmbio que vai fazer essa remessa, vai ter ali para fazer essa operação.

Via de regra é bem comum que essas casas de câmbio cobrem – as melhores, tirando as casas de câmbio atreladas aos bancos que vão cobrar o absurdo – mas se você vai numa casa de câmbio, por exemplo, a remessa online ela vai te cobrar alguma coisa toda de 1%, 1,5%, 2% de spread no máximo.

Estamos falando de um custo aí aproximado de 2,38% em cima do dólar comercial. Então o dólar turismo nada mais é do que o dólar comercial mais um spread. Sendo assim, você vai estar pagando alguma coisa em torno de 2,38%. Para ter uma conta no exterior, você tem algumas opções.

Conta no exterior

Vou dar alguns exemplos aqui, a XP Investimentos tem uma empresa lá nos Estados Unidos chamada XP investments. Para você abrir uma conta lá você precisa ter $500000, então não é acessível para muitas pessoas, mas você consegue tirar um Cartão Amex, por exemplo, nessa conta, e gastar de uma maneira muito tranquila pagando muito pouco.

BTG Pactual também tem uma conta que o limite é um pouco menor, de $250000 e você também consegue ter um cartão lá para gastar, e essa seria a melhor alternativa.

A segunda melhor alternativa é abrir uma conta Global em algum dos bancos. Eu conheço por exemplo o Banco C6, você consegue abrir uma conta global e nessa conta Global você consegue ter um cartão de débito, e à medida que você for gastando, você faz uma transferência da sua conta aqui no Brasil para sua conta global.

No caso C6 é em dólar ou você pode abrir euro também, e você pode gastar normalmente. Você paga um IOF um pouco mais caro, ao invés de ser 0,38% que nem eu falei agora, com uma transferência de mesma titularidade você vai pagar 1,1% IOF mais o spread que também deve ser em torno naqueles 2%. Sendo assim, vai chegar a 3% ou um mais de 3% de custo total.

Além dos C6 você também tem a possibilidade de ter uma conta na Avenue. A Avenue é uma outra empresa que fica nos Estados Unidos, mas como você vai fazer uma remessa de dinheiro em seu nome você também vai pagar 1,1% mais esse spread. São duas alternativas. A terceira alternativa seria dinheiro. Você de fato ir lá e comprar papel moeda, que vai ser exatamente o mesmo curso vai pagar 1,1 % de IOF, mais esse spread que gira em torno de 2%.

Conta global pode ser a melhor opção

Apesar de ser o mesmo valor que você fazer uma conta global no C6 ou na Avenue e de comprar papel moeda, eu tendo a preferir a conta global simplesmente pelo fato da segurança.

Não é muito interessante, dependendo do lugar que você vai, você andar carregando uma grande quantidade de dinheiro em papel moeda. Eu normalmente quando vou viajar carrego em torno de 15 a 20% em papel moeda e o restante gasto meu cartão.

Então, essas são as 3 melhores maneiras de se fazer o gasto, a compra né, viajar e comprar dólar ou Euro da melhor maneira e mais barata possível. Agora eu vou te falar o que você não deve fazer para comprar dólar. As piores maneiras e o que de pior você pode fazer numa viagem.

O que não fazer quando for viajar para o exterior

Dentre as piores coisas que você pode fazer quando você for viajar, é o que você já imagina, gastar no cartão de crédito. O cartão de crédito é muito bom, mas se você gastar no cartão de crédito nacional, emitido no Brasil, você vai pagar muito de todos os lados. Cartão de crédito, os antigos… hoje não sei se muita gente usa, mas os Traveler’s Checks, também existem os cartões pré-pagos como aquele visa travel money que antigamente era muito interessante e utilizavam justamente para fugir do IOF, agora eles estão iguais.

Iguais em que sentido? Iguais os sentidos do imposto que é cobrado. Nessas três formas cartão de crédito, Traveler’s Checks e esse cartão pré-pago, é de 6,38% contra esse 0.38% ou esse 1,1% que eu acabei de falar nas melhores soluções.

Então você está pagando muito a mais em imposto. Além disso, o spread cobrado pelos cartões de crédito é simplesmente pornográfico. Tem alguns cartões que compram 4%, 5%, 6% e até 7% de spread, então isso dá um custo… aliás, o Melhores Destinos fez uma matéria muito interessante dizendo quais são os piores cartões para viajar hoje, onde essa relação de spread é terrível.

Veja mais sobre o cartão de crédito no exterior

E o banco Safra ganhou pior cartão de crédito possível, cobrando nada mais do que 7% de spread, além de 6,38 de IOF, ou seja, se você tem uma viagem para fazer e o dólar custando 5,50 é como se o Safra te vendesse esses dólares a 6,24. Se colocar isso em números: você vai fazer uma viagem onde você vai gastar 15 mil, você vai gastar r$ 2000 a mais somente custos por usar o cartão deles.

“Ah, mas esse deve ser o único banco”. Não, diversos outros bancos, Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Nubank. Todos eles têm spread acima de 4%, ou seja, você está pagando 10% ou mais de 10% no caso dos bancos somente para usar o cartão de crédito. Por favor, se você está vendo esse vídeo, não utilize o cartão de crédito em viagem internacional. Utilize outras formas de comprar dólar.

Estratégias

Bom, pelo menos agora você já sabe qual a melhor forma de comprar dólar para uma viagem, para pelo menos pagar o mais barato possível e não ficar dependendo do momento certo para comprar. Mas você ainda deve estar se perguntando se não tem uma estratégia para fazer.

Tem, já que uma vez que ninguém consegue saber para onde vai o dólar no curto espaço de tempo, a melhor estratégia é, se você sabe quando você vai fazer uma viagem, a primeira coisa, é sempre bom se planejar para você vai fazer, é fazer compras esporádicas do dólar.

Se você vai fazer uma viagem, na qual você vai gastar $12000, por exemplo, daqui a 12 meses, você pode comprar $1000 por mês ou você pode comprar $6000 a cada seis meses. Você tem que ter alguma frequência de compra dessa moeda para que você consiga pegar o preço médio das cotações ao longo desse tempo, uma vez que a gente não tem ideia se o dólar vai estar mais caro, ou mais barato no mês seguinte.

Apesar de muitos economistas e pessoas falarem que sabem exatamente para onde vai o dólar. O perigoso nesse momento é você tentar estimar para onde vai o dólar. Isso é pior do que se você errar, pois vai ficar confiante e é muito possível que vai ter muitos erros de timing ao longo do tempo.

Diferenças entre o curto e longo prazo

Mas é muito importante a gente diferenciar aquelas pessoas que querem comprar dólar em um curto espaço de tempo, no curto prazo, para poder fazer uma viagem nos próximos meses, daquelas pessoas que querem internacionalizar o patrimônio, ter um patrimônio fora no longo prazo.

São coisas completamente diferentes. Podemos dizer que acertar a cotação do dólar a eficiência de fazer uma análise de curto prazo do câmbio seria equivalente a jogar uma moeda para cima e saber se ela deu cara ou coroa.

No longo prazo as coisas já mudam, é como se jogasse uma moeda para cima e ela tivesse a mesma cara. É muito mais previsível, principalmente nós brasileiros sabemos para onde vai a cotação do dólar no longo prazo. Um ponto em comum que precisamos entender é que o dólar sempre vai estar caro.

Se você olhar a cotação do dólar, possivelmente você sempre achou que o dólar sempre estivesse muito caro. Apesar do dólar ter quedas substanciais em alguns períodos específicos, ao longo do tempo ele se valoriza perante o Real. Ou seja, é esperado que o dólar cada vez mais se valorize mais do que o Real.

Oferta e demanda

Mas como que podemos ter uma previsibilidade tão maior que no longo prazo o dólar vai valer cada vez mais, ou seja que o real vai se desvalorizar cada vez mais perante o dólar? Primeiro a gente precisa entender por que que o dólar varia, então vou colocar aqui alguns motivos para que você tenha a noção, a ideia dos motivos pelos quais o dólar tem uma tendência de alta ao longo do tempo.

A primeira delas é entender a economia básica, ou seja, oferta e demanda. Se você tem uma demanda muito grande por real ou por dólar, é isso que vai fazer aquela moeda subir ou cair. Então, o primeiro motivo é o turismo.

As pessoas que vão viajar, por exemplo, precisam vender reais e comprar outra moeda. À medida que você vende reais essa cotação cai, e à medida que você compra a outra moeda, ela sobe. Se o americano vem para cá comprar real e todo mundo quer fazer turismo no Brasil, tem muita gente comprando real e a moeda do Brasil tende a se valorizar. Tem outras grandes variáveis, essa é apenas uma delas.

Juros

Uma outra grande variável é a taxa de juros, à medida que o governo, o Banco Central ele aumenta as taxas de juros, a atratividade para o investidor estrangeiro fica maior no Brasil, ou seja, você tem fluxo maior de pessoas comprando reais, o que faz apreciar a nossa moeda. Outra alternativa também, outro motivo é a inflação.

A diferença de inflação, assim como a taxa de juros, é o diferencial da taxa de juros. Então, você pega uma taxa de juros nos Estados Unidos, por exemplo, que é muito próxima a 0 e uma taxa de juros no Brasil, que estima 6%, 7%, 8%, não sabemos como vai estar nos próximos meses, no próximo ano, tem um diferencial muito grande.

Diferencial de inflação é a mesma coisa, enquanto nos Estados Unidos tem uma inflação beirando 2%, 3%, um pouco mais agora, no Brasil temos uma inflação beirando 7%, 8%, 9%.  Esse diferencial de inflação ao longo do tempo faz também com que a moeda do Brasil perca valor ao longo do tempo. Isso não significa que em curto espaço de tempo não vai ter uma grande mudança de ritmo aí.

Crise

Um grande outro ponto pelo qual a moeda valoriza são momentos de crise. As pessoas, os investidores correm para portos seguros, correm para o dólar. Tem dois grandes eventos marcantes: o primeiro deles a gente pode falar lá atrás quando Lula assumiu o governo, a tensão que era, o que estava por vir.

As pessoas ficaram com muito medo, o dólar disparou naquela época. A mesma coisa na época do coronavírus. Então se você fica com essa cabeça de tentar achar o momento certo para comprar o dólar no curto espaço de tempo, isso não é uma boa coisa. No longo prazo a tendência é de alta, então como você não sabe no curto prazo se o dólar vai cair ou se vai subir, a melhor estratégia para o longo prazo é comprar agora.

Você não sabe se amanhã vai estar melhor ou se vai tá mais barato para você comprar, ou se vai estar mais caro. Não temos essa informação, seria um mero chute se a gente soubesse o que fazer. O que sabemos é que no longo prazo o dólar tende a se valorizar. Daqui a 5, 10, 15 anos, é muito, mas muito provável que o dólar esteja valendo cada vez mais, então por isso que é importante ter uma parte do patrimônio fora.

Vale a pena esperar um pouquinho?

Tem algumas pessoas que falam: “Tá bom, mas vamos esperar um pouquinho esse dólar cair, eu acho que ele já subiu demais, vou esperar um pouquinho”. Isso realmente acontece, um exemplo clássico que aconteceu com a gente.

Estávamos fazendo a internacionalização de uma parte relevante de um patrimônio de um cliente. No início do ano ele quis esperar um pouco mais para fazer a remessa.  O dólar até caiu 3% do momento que a gente falou até para ele fazer, entretanto, os investimentos que ele ia fazer lá fora subiram muito, subiram 15% às vezes, ou até mais, como foi no caso desse cliente.

Isso que acontece, você ganha do lado de uma cotação e pode perder no lado dos investimentos, então a estratégia para você ter uma internacionalização do seu patrimônio não é esperar, é você fazer tudo isso de uma vez.

Faça de uma vez, pegue seu patrimônio e coloque lá para fora. Óbvio, se você tiver uma ideia de ter esse patrimônio durante muito tempo, porque a outra alternativa não está no seu controle. É só por isso.

Conclusão

E para resumir tudo que eu falei para a gente consolidar essa ideia… Se você planeja viajar, se preocupe com o que está dentro do seu controle. Se preocupe em pagar a menor quantidade possível de imposto e de spread, que é o custo para você ter a moeda, possível.

Dei algumas alternativas:  evitar a todo momento usar o cartão de crédito, por melhor que seja, ele vai ser uma péssima ideia para você. E a melhor estratégia de quando comprar, é assim que você souber que você vai fazer uma viagem, que você passe o preço médio, que você compre ao longo do tempo até a data da viagem para pegar a média de preços da cotação.

Entretanto, se você planeja internacionalizar uma parte do seu patrimônio é importante que você faça isso o quanto antes porque no longo prazo é esse esperado que o dólar tenha uma valorização comparativamente com o real pelos motivos que eu falei aqui.

E a outra alternativa, de esperar o melhor momento, pode ser que o momento nunca venha, tá legal? Se você gostou do conteúdo, se você entende que tem algum amigo, uma amiga que está prestes a viajar, ou quer internacionalizar o patrimônio e não sabe qual a melhor estratégia para fazer, manda esse artigo para ele ou para ela.

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Publicado por

Walter Moreira Neto, CFP®

Graduado pela Macquarie University (Business) e Masters em International Business pelo International College of Management Sydney (ICMS), morou em Shanghai, China, onde concluiu sua tese "Real Estate in China" pela Fudan University.
Sócio-fundador do Overclub Family Office e Ryde Corretora de seguros, é Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Planejador Financeiro, CFP®️

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