Como Fazer Um Planejamento de Riscos Familiares

Overclub Falily Office

Como fazer um planejamento de riscos familiares de forma a ter uma vida mais tranquila?

Normalmente quando as pessoas vão falar sobre planejamento de riscos familiares, elas vão direto para o que precisam: pagar menos imposto, organizar a sucessão, indo diretamente no problema.

Nós aqui no Overclub, seguimos uma metodologia chamada Life-Centered Planning, e como que a gente atua nesta parte, em três pontos diferentes: Lifestyle Planning, Planejamento Patrimonial e o terceiro ponto que é, de fato, implementar aquela determinada estratégia para o planejamento de riscos.

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1 – Lifestyle Planning

Lifestyle Planning é, basicamente, conhecer um pouco mais sobre a história de vida daquela família, daquela pessoa. Saber de onde essa pessoa veio, o que ela faz, o que a trouxe até aqui.

Normalmente, quando a gente lida com dinheiro, com patrimônio, aprendemos muitas coisas com nossos pais e, ou a gente replica essas coisas ou rejeita. É importante saber qual é o estilo de vida, qual o lifestyle dessa família hoje e qual o lifestyle que essa família quer no futuro.

A gente não tem o direito de montar estratégia, falar sobre patrimônio, falar sobre proteção patrimonial, sem antes conhecer aquela família e o que é importante para ela, esse é o primeiro passo.

2 – Financial Planning – Planejamento Patrimonial

O segundo ponto que a gente tem que atacar é o Planejamento Patrimonial que aqui no Overclub Family Office a gente chama de mapa patrimonial.

Já que a gente conhece qual o estilo de vida que essa família tem hoje e qual o estilo de vida que essa família quer ter no futuro, aí sim, a gente consegue montar uma estratégia com um único objetivo: perpetuar esse lifestyle, este estilo de vida, de duas formas:

  1.  Se certificar que aquela família tem patrimônio suficiente para continuar vivendo o estilo de vida que ela quer;
  2.  Ter certeza que essa família não vai “morrer” com muito, ou seja, utilizar esse patrimônio durante a vida.

Isso implica tanto na alocação de recursos que essa família vai fazer, quanto o que a gente vai falar hoje que é o planejamento de riscos, que é tomar cuidado para mitigar ou eliminar qualquer tipo de risco que possa colocar esse lifestyle em perigo.

Então, o objetivo desse planejamento de riscos é só um: manter o lifestyle da família.

3- Financial Advice

O Financial Advice nada mais é que, depois que a gente identificou o segundo passo que é a estratégia, o planejamento patrimonial daquela família, saber qual, de fato, é aquela estratégia, o que a gente precisa implementar ou se precisa implementar alguma coisa. Às vezes a família já faz uma coisa muito boa.

Lembra que no começo eu disse que as famílias começam direto por esse ponto? Quando você faz uma estratégia direto nesse ponto, normalmente, se você for numa instituição financeira, se for num advogado, é aí que está o ‘big money’, é aí onde as empresas vão ganhar dinheiro, então com certeza vai ser onde a pessoa vai querer atuar sem fazer aquelas duas etapas anteriores.

Mas o grande problema disso é que você acaba fazendo uma organização patrimonial que pode parecer uma colcha de retalhos, você faz uma estratégia muito boa para aquela determinada situação, mas quando você olha o global aquilo não faz muito sentido.

Um exemplo disso, um simples seguro de automóvel. Quando você faz um seguro de automóvel, normalmente, a proteção que você tem é do carro.

Quando você tem a maior proteção numa responsabilidade civil. Aliás, quando você tem patrimônio, você tem pelo menos duas formas de vir a perder: uma, a responsabilidade civil e a outra, um grande problema de saúde. Então nessa parte, a gente chega e ataca diretamente na estratégia que é importante fazer.

Esse mesmo exemplo do seguro do carro que eu acabei de te dar, pense o seguinte: você tem ideia de quanto seria uma indenização caso você se envolvesse em um acidente com vítima?

Por jurisprudência o juiz deve dar alguma coisa, em termos de indenização, dois terços da renda daquela pessoa, da data do acidente até que ela viesse a completar 70 anos.

Vamos fazer uma continha rápida, uma pessoa de 35 anos que ganha uns 10 mil reais, da idade que ela sofreu o acidente até que ela completasse 70 anos, dois terços do salário, isso dá por volta de um pouquinho menos de 3 milhões de reais.

Se você pegar sua apólice de seguro agora, você vai ter um ótimo seguro do carro provavelmente agora a responsabilidade civil, danos corporais sem seguro que você consegue cobrir uma apólice de carro provavelmente vai ser menor do que 300 mil e desculpe, com 300 mil você não consegue sequer fazer um acordo com a contraparte.

Então, a primeira recomendação que eu dou é ter um seguro de responsabilidade civil, danos corporais de pelo menos 1 milhão, porque aí você consegue pelo menos fazer um acordo.

E 1 milhão pode fazer diferença no seu estilo de vida, enquanto que se você perder o carro, bater o carro, pegar fogo, você pode ficar muito bravo, mas provavelmente não vai ter impacto patrimonial.

Como Devo Olhar para o Risco Patrimonial?

Tá bom, então você deve estar se perguntando: tá ok, mas qual é o olhar então que eu tenho que ter para risco patrimonial?

O olhar, você vê que o olhar que a gente tem é muito mais patrimonial, um pouco diferente. Então, resumindo, ele tem dois tipos de risco: a gente tem um risco de Lifestyle que é todo tipo de intercorrência que pode comprometer esse estilo de vida. Esse é inegociável.

Alguma estratégia tem que ser feita aqui, para minimizar ou para eliminar esse tipo de risco e tem um outro tipo de risco que é o risco financeiro.

Se o risco financeiro não for suficiente para comprometer o risco de lifestyle, a gente tem que pensar duas vezes se vale a pena fazer algum tipo de proteção com risco financeiro.

Vou dar um exemplo. Eu te falei um pouquinho antes que a gente tem duas formas de vir a perder o patrimônio: uma responsabilidade civil ou um um grande problema de saúde. Se a
gente vier a ter grande problema de saúde que vai precisar fazer uma cirurgia, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a taxa de sucesso seja cinco, seis vezes maior e isso custa um milhão de dólares para fazer essa cirurgia e você tem esse um milhão de dólares, você vai usar do seu patrimônio para fazer essa cirurgia. Então deixa de ser um seguro.

Olha eu tenho um tratamento, eu deixo de ter um tratamento para ser um risco no seguro patrimonial, em outras palavras você utiliza o seu patrimônio, faz a cirurgia, mas coloca em risco seu lifestyle, ao ponto que se você tiver um patrimônio de 100 milhões, talvez este 1 milhão não faça diferença na sua qualidade de vida. Aí é um outro olhar: eu quero estar exposto, quero fazer um seguro para cobrir isso ou não.

Para vocês terem uma ideia, existe um seguro saúde muito comum que se faz, principalmente os americanos fazem muito isso, que chamam de seguro segundo risco.

Então, eles não têm seguro saúde para até um determinado valor, mas a partir de um determinado valor para as grandes contas de saúde, são contas muito altas de saúde como você ficar internado no hospital na UTI, principalmente nos Estados Unidos, até um determinado valor, as pessoas mesmo bancam. E a partir de um determinado valor, aí sim, a seguradora entra para bancar. É uma forma de você fazer o seguro exclusivamente patrimonial com foco na sua saúde.

Exemplos de Planejamento de Riscos

Bom, vamos falar um pouquinho então de alguns exemplos de planejamento de risco, o que é possível fazer. Normalmente quando eu tô conversando, já estou nessa conversa, terceira etapa com o cliente e chega, de fato, para a gente entender qual é o tipo de estratégia que a gente vai implementar, eu pergunto o que tira o sono das famílias. O que te preocupa, o que tira seu sono? E isso varia de família para família.

Exemplo 1

Por exemplo, se perguntar para minha mulher ela vai falar que é eu ligar o ar condicionado à noite, mas falando sério, quando eu vou perguntar para algumas famílias elas viram para mim e falam: eu tenho muito medo que na minha ausência, quando eu morrer, que meus filhos briguem, se matem, entrem numa guerra por conta do meu patrimônio.

Na família você tem irmãos e pessoas que fazem coisas diferentes e é comum algumas famílias que têm esse tipo de preconceito, de medo. E é um risco de lifestyle, durante a vida
esse patriarca, essa matriarca, pode ficar com isso na cabeça e acabar não desfrutando a vida da melhor maneira porque ele tá com esse medo.

Então, existem formas de deixar essa família mais tranquila, por exemplo, nesse caso porque não montar uma holding com doações de cotas, montar um fundo exclusivo com doações de cotas, testamento, ou seja, tem algumas estratégias que é possível fazer, depois de olhar um todo, para que possa deixar esse patriarca, essa matriarca, mais tranquila com relação a isso.

Exemplo 2

Um outro grande medo que, às vezes, chega na gente é perguntar: eu tenho muito medo de deixar uma fortuna para os meus filhos, porque meu filho do meio é o mais gastão, ele vai gastar tudo e vai passar dificuldade e os outros irmãos não vão se preocupar com ele depois.

É comum também, isso já aconteceu algumas vezes, tem sempre na família uma pessoa que é aquela mais gastona, ou talvez não tenha a consciência ou a expertise para lidar
com patrimônio e fazer esse patrimônio durar durante muito tempo.

Então qual é a grande preocupação aqui? É a família, um dos filhos que se receber uma fortuna, não ter a capacidade, não ter dignidade de continuar com estilo de vida aqui com os pais vivos ele tem. Então existe uma possibilidade para, nesse caso, eu tô falando algumas estratégias aqui como exemplo, lembra que antes dessas estratégias a gente já fez o Lifestyle e o Financial Planning.

Então, nessa situação, por exemplo, poderia se estruturar um truste e esse truste ( basicamente uma forma que você transfere o seu patrimônio para esse trute e uma pessoa é designada para fazer a alocação da maneira que foi definido).

Então esse dinheiro pode ser usado, por exemplo, numa eventual sucessão, para custear a educação ou coisas básicas como moradia, para esse determinado o filho que sejamais gastão, isso é possível fazer, inclusive com pessoas especiais.

Então se você tem um determinado irmão ou irmã, enfim, algum membro da família que vai receber uma herança e não vai conseguir administrar por algum tipo de incapacidade ou impossibilidade, você também pode fazer isso.

Lembrando que se você for montar um truste é importante conversar com seu advogado para que seja feito de uma maneira que ela converse com o Código Civil brasileiro porque não é uma estrutura que ainda é oficialmente aceita no Brasil, mas ela funciona de uma maneira muito boa.

Exemplo 3

Outro exemplo que eu posso falar para vocês é, por exemplo, um sócio tem medo que o sócio dele (uma empresa com dois sócios) que o filho dos sócios na falta dele possam ingressar na empresa. Mas esses dois filhos, por exemplo, não tem formação nenhuma para o negócio e não tem aptidão nenhuma para o negócio e teme, o risco de lifestyle dele, o medo é que esses filhos ao entrar na sociedade possam levar a empresa para o buraco e qual que é o risco de lifestyle?

Acabar vivendo uma qualidade de vida muito menor daquela que espera simplesmente por não ter se preparado. E o que você pode fazer nessa situação? Você pode, por exemplo, fazer uma readequação do contrato social, aí você vai pedir ajuda do seu advogado e do acordo de sócios, se tiver também, obviamente fazer um determinado valuation para que esses filhos, esses herdeiros, recebam um dinheiro ao invés de receber cotas de sociedade.

É importante já ter uma métrica de valuation bem definida.

Valuation pra quem não sabe é a gente conseguir precificar quanto vale aquela empresa para você conseguir pagar e, obviamente, paralelamente à isso, ter algum tipo de instrumento de liquidez, normalmente nós utilizamos um seguro de vida para esses casos para você poder conseguir amarrar muito bem essa situação.

Acho que esses três exemplos que eu dei, a gente consegue ter um pouco de norte de como a gente aborda o planejamento de risco, sempre olhando para o risco de lifestyle.

Conclusão

Para recapitular um pouquinho do que foi falado hoje: a primeira coisa que eu falei é que, ao invés da gente ir diretamente para o ponto e atuar direto naquela estratégia, é importante a gente dar alguns passos antes e eu falei quais são esses passos.

1- A gente falou de Lifestyle Planning, conhecer a família, saber de onde veio, saber como lida com o patrimônio, depois de saber principalmente qual é o estilo de vida daquela família hoje e no futuro.

2 – Saber fazer o planejamento patrimonial que é Financial Planning que é se certificar das estratégias que permitirão aquela família viver a qualidade de vida que ela escolheu, hoje e depois, com o único foco e Lifestyle, ou seja, não deixar essa família morrer com muito dinheiro e ter certeza que o patrimônio vai durar para viver hoje em dia.

Nós vimos também que existem basicamente dois tipos de risco: o risco de lifestyle que é inegociável e tem algum tipo de estratégia para mitigar ou para eliminar esse tipo de condição e o risco financeiro, que pode ser ou não um risco de lifestyle.

E por último, eu dei alguns exemplos, foram mais cases, sendo que a gente vê no dia a dia aqui do escritório, sobre algumas estratégias de planejamento que a gente pode fazer.

E você como é que tá o planejamento de risco? Você faz isso, atua dessa maneira, já olhou de uma forma mais Global? Conta para mim. Um abraço se inscreve no canal do Youtube e até o próximo vídeo.

Leia também: Planejamento Sucessório: o que é, e como fazer

 

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Publicado por

Walter Moreira Neto, CFP®

Graduado pela Macquarie University (Business) e Masters em International Business pelo International College of Management Sydney (ICMS), morou em Shanghai, China, onde concluiu sua tese "Real Estate in China" pela Fudan University.
Sócio-fundador do Overclub Family Office e Ryde Corretora de seguros, é Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Planejador Financeiro, CFP®️

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