As 3 principais responsabilidades do planejamento patrimonial

Overclub Falily Office

Você conhece alguém que ganhou muito dinheiro durante a vida, mas na hora de se aposentar ou quando parou de trabalhar simplesmente não conseguiu manter a mesma qualidade de vida?

Ou você conhece filhos que sempre tiveram uma ótima qualidade de vida, mas quando os pais morreram não conseguiram manter esse estilo de vida? Ou famílias que tinham patrimônio a vida inteira, mas não conseguiram se organizar para transferir esse patrimônio? Ou seja, o que faltou na organização patrimonial desse tipo de família?

Se preferir, assista ao vídeo

Se você quer saber mais acompanhe no artigo a seguir. Vamos falar sobre as 3 principais responsabilidades de um bom planejamento patrimonial.

Para começar, vejamos então as três principais responsabilidades de um bom planejamento patrimonial, e abordar três grandes tópicos.

 

  • O primeiro deles é o vida longa e com saúde.
  • O segundo é vida longa e sem saúde.
  • E o terceiro é vida curta.

 

Diagrama de estratégia de um bom planejamento patrimonial

Eu gosto muito de falar sobre o tema. Todos os anos nós fazemos um mapa patrimonial para as famílias que atendemos aqui no Overclub.

Em 2022, o Overclub faz 10 anos, e todo ano as famílias param uma vez comigo para falarmos sobre o seguinte tema: o diagrama de estratégia de um bom planejamento patrimonial.

Sabe quando você entra no avião e fala que mesmo se você for um viajante frequente, você precisa ouvir as instruções para colocar máscara em você antes de colocar máscara no outro. Todo ano eu falo a mesma coisa sobre este diagrama e vocês vão entender o porquê ele é muito importante na hora da gente montar e tratar esses temas dentro do planejamento patrimonial.

Esse diagrama é sobre a estratégia patrimonial bem sucedida. Tem um livro que eu li, que mudou completamente minha vida e a forma como eu trato a parte de patrimônio, que é um livro muito simples, que eu recomendo que todo mundo leia. O livro é o Pai Rico, Pai Pobre. A ideia é que você tenha ativos e estes paguem pelo seu estilo de vida.

O primeiro ponto é o seguinte: na base nesse diagrama você tem a renda.

O que normalmente as pessoas fazem?  As pessoas trabalham, ganham dinheiro eles vão para cima, já para subsidiar o seu estilo de vida. Viajam, compram carro, casa, enfim, fazem tudo que as pessoas normalmente gostam de fazer. Qual que é o problema dessa situação? O problema é que em algum momento, ou porque você não quer, ou porque o mercado não quer mais, e você não possa mais trabalhar e gerar renda, você não vai conseguir manter aquele estilo de vida.

Qual é o cenário ideal? Que você trabalhe para acumular patrimônio, e esse patrimônio seja suficiente para provisionar e financiar a qualidade de vida que você escolheu para você e para sua família.

Parece muito lógico isso, só que no meio do caminho a gente precisa pensar também em quais os possíveis intercorrências que podem colocar tudo, ou uma parte a perder e o que é importante observar e proteger ao longo do caminho, para que você não seja obrigado a colocar a mão no seu patrimônio que você vem construindo, e ficar cada vez mais longe do seu objetivo de viver de renda.

Um bom planejamento patrimonial ele prevê um acúmulo de patrimônio, uma preservação desse patrimônio, entendido como aquilo que você acredita, que está dentro do seu círculo de competência, sejam imóveis, seja mercado financeiro, seja o que for. Só não pode ser trabalho ativo. Não pode ser seu trabalho, que você ganha dinheiro trabalhando. Alguma coisa que você não precise trabalhar para ter essa renda. O que a gente chama de planejamento patrimonial de renda passiva. E essa renda passiva vai ser a fonte de renda para subsidiar seu estilo de vida

Vida longa e com saúde

Vamos falar agora sobre as três responsabilidades do planejamento patrimonial. A primeira delas é considerar se você vai ter uma vida longa e com saúde. Aliás, segundo IBGE, em um estudo que eles fizeram em 2019, as mulheres têm uma expectativa de vida de 73 anos e os homens de 80.

Então, possivelmente, essa situação é o que vai acontecer com você dentro. Importante planejar dentro dessa qual vai ser o seu estilo de vida lá na frente, quando você não necessariamente quiser mais trabalhar.

Um ponto importante também para falarmos sobre é sobre o pensamento das pessoas “na minha aposentadoria eu ainda vou trabalhar”. Uma coisa é você trabalhar porque você quer, e a outra coisa você trabalhar porque você precisa.

Quando o tema aposentadoria aparece no planejamento patrimonial, nos remete à imagem de que a pessoa tá lá na praia, numa rede, sem fazer nada. Não está mais trabalhando. Tudo bem, algumas pessoas até podem ter esse conceito de aposentadoria, mas o nosso conceito de aposentadoria é onde aquela família vive uma renda passiva, ou seja, ela pode trabalhar se ela quiser, por opção, mas não porque a família precisa. Nesse sentido, o primeiro ponto que precisamos observar quando falamos de vida longa saúde, é qual vai ser o seu estilo de vida quando você não quiser mais trabalhar. E o segundo é como é que você vai fazer para pagar por este estilo de vida.

Planejamento financeiro

Como que fazemos isso? Dentro do planejamento patrimonial existe a parte do planejamento financeiro, que nada mais é do que alguma projeção que a gente vai fazer para saber qual é o tamanho do patrimônio necessário para que você viva com a renda que você decidiu, com a renda passiva que você decidiu.

Mas tem um problema quando a gente faz essas projeções. Temos quatro grandes variáveis: a primeira, é saber quanto que vai ser o rendimento dessa sua carteira de investimentos lá na frente, para conseguirmos acumular esse determinado patrimônio. O segundo é, qual a renda que você quer? Você tem que saber quanto de renda você precisa em valores de hoje, para ter a qualidade de vida que você imaginou. O terceiro ponto é, com que idade você vai usar essa renda? 50, 60, 70 anos? Isso varia de cada um. O quarto ponto, é quanto você precisa aportar, o quanto você precisa investir anualmente para que esse plano de fato se concretize.

O grande erro dos investidores, das pessoas que se planejam para o longo prazo, é estimar um retorno e focar toda sua energia em algo que não está sob seu controle. Se você faz o gerenciamento da sua carteira sozinho, se você tem ajuda de alguém, tem um limite pelo qual a sua carteira consegue elevar um determinado retorno de uma forma mais previsível para o longo prazo. De fato, o que está dentro do seu controle são as últimas três variáveis, principalmente as últimas duas, sobre a idade em que você gostaria de viver de renda e qual a renda que você gostaria. Então foque nas variáveis que estão dentro do seu controle.

Alocação estratégica de recursos e sua importância no planejamento patrimonial

Monte uma alocação estratégica de recursos. Já fiz alguns vídeos sobre asset allocation para que você consiga ter esse retorno mínimo requerido para alcançar o seu plano. Você pode estudar e fazer da maneira que você quiser, ou você pode delegar para alguém para fazer isso para você.

Mas, como já disse em outros conteúdos, por favor faça um dos dois. Se você tentar fazer as duas coisas, as chances são altas de você não conseguir atingir a rentabilidade mínima requerida, e ficar meio perdido ao longo do caminho.

Depois que você tem esse planejamento financeiro é muito importante que você monitore, que você consiga entender se de fato a carteira de investimentos que você montou, seja ela qual for.

Pode ser na parte de imóveis, pode ser na parte de investimentos, mas que você tenha tudo isso consolidado para que você a acompanhe em períodos maiores. Não estou falando para você acompanhar todo mês, nem todo ano, mas você fazer checkpoint a cada um ano e meio, dois anos e entender se realmente aquela locação que você montou te permite alcançar a renda necessária.

Porque, as vezes, você faz uma proteção às vezes para a sua carteira entregar inflação + 4,0%, inflação + 4,5%, e você monta uma locação totalmente prazerosa ou confortável, no sentido de não ter oscilação, mas que no longo prazo inviável que ela consiga entregar a renda requerida.

Então é importante que você monte sim uma alocação de recursos capaz de entregar aquilo que você precisa. Mas principalmente entender qual que é a característica desse tipo de carteira, porque para que você tenha um retorno um pouco maior, se for, por exemplo, essa situação de inflação mais 4% que eu citei aqui é importante que você entenda característica para permanecer investindo.

Seja conservador em seu planejamento patrimonial

Um ponto muito importante é você ser conservador em seu planejamento patrimonial. Morgan Housel, o escritor do livro psicologia financeira,  tem uma frase muito interessante que é o seguinte: “ter um plano é bom, mas ter um plano para quando o plano não funciona, é a parte mais importante do plano”.

Parece uma coisa meio louca isso né, mas eu vou explicar.

Para fazer o planejamento patrimonial é importante, como eu disse, que a gente projete algumas variáveis, principalmente econômicas. Principalmente sobre rendimento de uma determinada carteira de investimentos lá no longo prazo. Mas as coisas podem não sair conforme o esperado.

Por exemplo, pensa nos últimos 20 anos, em tudo aquilo que aconteceu e que foi totalmente inesperado. Temos queda das torres gêmeas, temos crise de 2008, temos o impeachment da Dilma, temos uma pandemia, coisas que ninguém conseguia prever.

Então, seria ótimo se o mercado desse 10%, 12% de rendimentos acima da inflação na sua carteira, seria maravilhoso. Mas se ele der 2% acima da inflação nos próximos 20 anos?  Então seu planejamento precisa prever isso. Ou seja, você precisa pelo menos saber quais são as consequências caso a rentabilidade que você planejou seja completamente diferente da realidade.

Faça ajustes no seu planejamento patrimonial

Outro ponto muito importante é que você cheque, que você refaça esse planejamento patrimonial todos os anos porque, pense você que está lendo este artigo. Se você fosse fazer um planejamento patrimonial há cinco anos, talvez a sua expectativa de renda, talvez a sua expectativa de qualidade de vida, o que você gostaria de fazer seja completamente diferente.

Daqui a 5 ou 10 anos provavelmente sua vida também vai mudar, a vida das pessoas muda muito, as coisas acontecem, então rever o planejamento patrimonial, rever o que você de fato gostaria que acontecesse é muito importante.

Um planejamento patrimonial, principalmente essa parte do planejamento financeiro, não é uma caixinha colorida aonde você vai colocando uma moedinha todos os meses ou todos os anos, aí quando você chega lá nos seus 50, 60, 70 anos – cada um tem a sua data – está tudo resolvido e as coisas acontecem de uma maneira natural.

Não, é importante que você monitore todos os anos, que você refaça esse planejamento patrimonial todos os anos, para caso haja alguma mudança – e provavelmente vai ter – Te falo que é muito frequente ter uma mudança, principalmente quando a gente pega períodos maiores como os de 5 anos que mencionei.

É muito importante que você reveja e que você faça pequenos ajustes, porque uma coisa é que você fazer pequenos ajustes e é possível chegar lá, ou pelo menos adequar às suas expectativas quanto ao futuro, do que você chegar lá na frente e tudo que você imaginou que fosse concretizar estar muito longe, ou mudou completamente. Então reveja seu planejamento patrimonial com certa frequência.

Vida longa sem saúde

E agora a gente vai falar sobre a segunda grande responsabilidade de um planejamento patrimonial, que é focar no tema vida longa sem saúde.

Pensa comigo em quais seriam as possíveis consequências na sua vida caso a renda que vem hoje do seu trabalho fosse zero, ou seja, que você não tivesse mais condições de ter uma renda para bancar a sua qualidade de vida. Qual seria o real impacto disso hoje?

Pense com relação à sua família, como ficariam se você não conseguisse mais gerar renda? Se a renda que chegasse nessa casa não fosse suficiente? Você já está naquela fase onde o seu patrimônio já te proporciona o estilo de vida necessário, ou não? Como ficaria a qualidade da sua família? Eles teriam que bancar a sua renda, seus filhos, se é que você tem? É nessa hora que o planejamento patrimonial precisa parar e olhar para esta questão específica e quais são as possíveis soluções que existem para esse tema.

Então se você está neste caminho de acumular patrimônio e é importante pensar o seguinte, quais soluções eu tenho que colocar aqui para se acontecer alguma coisa comigo e eu não conseguir mais gerar renda? Como fica minha família? Como fica minha qualidade de vida se eu não conseguir mais colocar dinheiro dentro de casa? Quais são as possíveis soluções para isso?

Então não vou entrar muito em detalhes, mas algumas soluções que normalmente nós vemos no mercado, por exemplo, para invalidez parcial ou permanente, e não consegue mais trabalhar e gerar renda.

Um seguro vai te proporcionar uma indenização para você ou para sua família, para que vocês consigam ter uma renda, porque você não conseguiu ainda alcançar. Todo o tema é baseado em na situação em que você estava acumulando e aconteceu algum evento, alguma circunstância, e você não é mais capaz de gerar renda para alcançar o seu plano, então, vida longa sem saúde.

Então uma outra solução para, por exemplo, uma doença grave que pode ter acontecido contigo que evite que você consiga chegar lá, existe seguro para isso, de doenças graves, as grandes seguradoras do país tem esse tipo de seguro, que evita que você comprometa completamente o seu planejamento.

E aí nós não estamos falando de um seguro para que a sua família tenha aquela renda que você pensou na “vida longa com saúde”, ou seja, se você planejou ter uma renda de r$ 50000 aos seus 60 anos, não é nessa renda… Esse seguro não veio para bancar isso tá bom, é muito importante deixar claro que ninguém vai ficar rico com o seguro. A ideia do seguro é fazer uma proteção, então qual que é a sua despesa atual?

Os especialistas dizem que na falta do provedor, a família gastaria algo em torno de 70% da renda. Então pensa como seria seu estilo de vida se você não pudesse trabalhar, estivesse vivo, mas não pudesse trabalhar. Quanto que seria o seu estilo de vida? É este o valor que o seguro tem que dar de indenização para que ele investido para proporcione uma determinada renda e não a renda que você gostaria, para viver de renda lá no futuro, para estar com uma qualidade de vida que você desenhou.

Vida curta

Por fim, em um bom planejamento patrimonial, uma das principais responsabilidades é considerar se aquela família ou seu provedor vai ter vida curta. Nesse caso é importante pensar quais são as consequências que a sua família vai ter se você, pessoa que coloca dinheiro em casa, não estiver mais aqui.

Então temos dois grandes pontos. O primeiro é, se você está nessa jornada de acumular patrimônio e ainda não chegou lá, o ponto principal é como vai ficar a manutenção da qualidade de vida da sua família. Você ainda não tem o patrimônio para viver de renda e talvez nem o patrimônio para pagar as despesas atuais da sua casa.

Nesse momento, é importante algumas soluções, e aí entra, por exemplo, seguro de vida do tipo termo – que é um tempo até que você acumule o patrimônio, e se esse tempo acontecer alguma coisa contigo nesse período, o seguro vem aí para bancar, para gerar uma renda para subsidiar os custos da sua família e não para sua família ficar rica.

O segundo ponto recai sobre a liquidez do inventário. Então famílias que já possuem um patrimônio relevante, ou famílias que já acumularam patrimônio suficiente. O ponto principal recai sobre como que aquela família terá dinheiro suficiente para acessar esse patrimônio. No Brasil nós temos o ITCMD, que é o imposto sobre transmissão causa mortis em São Paulo, esse imposto é de 4%.

Isso muda de estado para estado, então é importante que a família tenha liquidez, tenha acesso rápido ao dinheiro para conseguir acessar esse patrimônio. Além do ITCMD tem outros custos.

Existem custos com advogado, segundo a tabela da OAB é de 6%, mas alguns outros custos com certidões, então de 10 a 15% provavelmente você vai ter, família vai ter de custo. Então é importante ter também um seguro. Fiz outro conteúdo justamente sobre seguro de vida, o que você deveria considerar no seguro de vida,  qual seguro é importante você contratar em cada situação.

Mas nessa situação de proteção, uma das alternativas é ter um seguro, por exemplo, do tipo vida inteira, que é aquele seguro que em algum momento você vai usar. As pessoas pensam “ah, se eu morrer”, não em “quando você morrer” e as pessoas precisam, dentro do planejamento patrimonial, pensar em quais são as consequências da família ter patrimônio, mas não conseguir acessá-lo simplesmente por não ter o dinheiro necessário.

Algumas famílias têm patrimônio imobilizado muito alto, e, assim, não conseguem acessar e não conseguem gerar e manter a qualidade de vida com a falta do provedor.

Então, falamos hoje sobre três grandes pontos aqui: planejamento patrimonial deve considerar vida longa e com saúde, vida longa e sem saúde e vida curta. Se você gostou desse conteúdo e acha que ele pode fazer sentido para mais alguém, por favor, compartilhe! Toda semana vamos colocar algum conteúdo desse tipo por aqui. Obrigado e até mais.

Leia também: Os 6 princípios de investimento de Warren Buffet

Siga nosso Instagram: @overclubfamilyoffice

Compartilhe:

Publicado por

Walter Moreira Neto, CFP®

Graduado pela Macquarie University (Business) e Masters em International Business pelo International College of Management Sydney (ICMS), morou em Shanghai, China, onde concluiu sua tese "Real Estate in China" pela Fudan University.
Sócio-fundador do Overclub Family Office e Ryde Corretora de seguros, é Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Planejador Financeiro, CFP®️

Overclub Falily Office

Deixe um Comentário